O Criador que rompeu com a Criatura- Por Adalvo Andrade

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O ex-prefeito Zé Grilo (criador), rompeu com o atual prefeito Ricardo (criatura) a parceira politica das últimas eleições municipais. Em pronunciamento oficial feito na emissora, o ex-prefeito disse que agora só vai apenas se dedicar em destruir politicamente sua criação. O Criador explicou que está muito triste com a situação, mas que o rompimento se dá em virtude de uma distorção sofrida pelo projeto político que a criatura apresentou depois de sua criação.

O desconforto na relação entre Zé Grilo e Ricardo Maia, nos remete a uma pequena história vinda do Reino de Canabrava alguns tempos atrás, não muito distante.

A criatura em sua campanha por mais quatro anos no Reino de Canabrava está em apuros e pede socorro ao seu Criador:

― Meu criador, onde estás que não me ouves?

― Estou onde sempre estive. Estou aqui em cima no meu trono a olhar se estás cumprindo com o script que com tanto esmero e cuidado te entreguei. Por que andas te escondendo de mim?

― Meu criador. Tu és onipotente, onisciente e onipresente, e sabes muito bem que a natureza humana não se muda. Perdoa-me, pois não consigo representar como bem me ensinaste. Tenho o pavio curto. Coisa da genética.

― Como queres ficar no paraíso por mais quatro anos, se não sabes te amoldar às circunstâncias. Tu, como personagem central da “Divina Comédia”, jamais poderia ter cometido tamanho pecado! És teimoso demais! Se andas te atropelando nas palavras, para que inventar de falar de improviso? Por que teimas em recusar ler meu manual para iniciantes? Às vezes, chego a me arrepender de ter te escolhido entre outros mais sábios do meu Reino.

No capítulo primeiro do meu manual está escrito: “Não cometerás “SINCERICÍDIO”. No segundo capítulo está escrito: “Em política a verdade dita fora do tempo não liberta, antes traz confusão e discórdia”. Como é que foste cometer pecado tão grave?

― Vou te conceder perdão. Serei misericordioso contigo. Alegra-te e incendeia a cambada de anjos que te seguem. Eu te livrarei do laço do passarinheiro.

― As lágrimas que saem dos meus olhos agora, meu Mestre, são sinceras. De joelhos agradeço a tua divina intervenção. Só tu podes me livrar de tamanha humilhação, age rápido!

― É! Mas isso não vai sair de graça não. Farei o diabo para te dar vitória. Tem uma coisa: ganharás por muito. Vou preparar um discurso que irás fazer no final da votação. Não poderás errar uma vírgula sequer.

― Fala-me rápido, meu Criador. O teu servo é só ouvidos. Fala! Fala!

― Calma! Pega o discurso que redigi para leres depois que o nosso nobre amigo do TSE divulgar a tua vitória. Decora-o tim-tim por tim-tim.

A criatura passa seus olhos pelas laudas do discurso redigido pelo auxiliar-mor do criador, e se arrepia todo.

― Que cara é essa? Que tens? Estás passando mal? ― brada o criador.

― Perdoa-me meu Mestre e Criador: é que eu estou vendo palavras indigestas nos teu divino discurso.

― O que? Tens a ousadia de dizer que estou a escrever porcarias?
É de minha natureza meu criador. Tu sabes como ninguém. É que eu passo mal quando ouço palavras como: “diálogo”, “união sem ação” MONOLÌTICO”, “responsabilidade fiscal”. E o pior, meu criador é ter que falar em “Retribuir” e negociação com aqueles que me ofenderam.

― Vais dormir. Pedes uma semana de férias, e lá, num litoral bem secreto te ungirei com o óleo milagroso de bacalhau. Lá, teus olhos se abrirão e verás a gloria do filho de Portugal que te sucederá por mais oito anos.

― E os conselheiro na Câmara, meu Mestre, como conviverei com eles?

― Não temas! Agrada-me o perigo. Acredita que podemos nos perder?.  Aquilo que procuro desenvolver e frutificar dentro de minha matéria e nas circunvoluções do meu cérebro jamais se extinguirá. Alegria, alegria, nobre criatura! Saibas que eu e tu somos uma só pessoa. Não te deixarei, nem te desampararei.

― Estás rindo com tanta confiança, meu criador, que estou todo inflamado de emoção e coragem.

― Avante, minha criatura!

― Avante meu pai, meu mestre meu criador!

Adaptado da obra de: Levi B. Santos.Qualquer semelhança com a nossa realidade é mera coincidência.

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